Entre os meses de novembro de 2025 e janeiro de 2026, o índice de informalidade no Brasil recuou para 37,5%, atingindo o menor patamar desde o período encerrado em julho de 2020. Esse percentual corresponde a um contingente de 38,5 milhões de cidadãos atuando na informalidade.
O resultado demonstra uma melhora em relação ao trimestre móvel anterior, que registrava 37,8%, e também frente ao mesmo intervalo de 2024, quando o índice era de 38,4%.
Os indicadores fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), apresentada nesta quinta-feira (5) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
De acordo com Adriana Beringuy, coordenadora da pesquisa, a trajetória de queda na informalidade teve início em 2022 e apresentou uma aceleração mais nítida a partir de 2023.
A especialista explica que o recuo atual está diretamente ligado à diminuição de vagas sem registro formal no setor privado, somada ao aumento de trabalhadores autônomos que passaram a possuir registro no CNPJ.
Beringuy ressalta que, embora o ano de 2020 tenha apresentado quedas bruscas na informalidade devido ao isolamento social da pandemia, o cenário atual reflete a **melhor qualidade ocupacional** de toda a série histórica monitorada pelo instituto.
“Desconsiderando as distorções causadas pela pandemia, este é, de fato, o menor índice de informalidade já registrado na série comparativa”, afirmou a coordenadora durante a coletiva de imprensa.
O recorde histórico de baixa na informalidade foi alcançado em junho de 2020, com 36,6%, em um contexto de retração generalizada da ocupação.
Segundo a análise técnica, o segmento que mais contribuiu para essa redução foi o de trabalhadores que atuam sem a carteira de trabalho assinada.
No momento, a população ocupada no país demonstra estabilidade geral, mas o braço informal do mercado, embora também estável, apresenta uma tendência de declínio um pouco mais acentuada.
Na visão da coordenadora, esse movimento estrutural deve impactar positivamente o poder de compra e a remuneração média da população em breve.
“Essa nova configuração tem permitido que o rendimento médio se mantenha em patamares elevados. Além de preservar os ganhos de 2025, o mercado inicia 2026 com uma estrutura que assegura a manutenção dos salários em R$ 3.652”, detalhou.
Os dados revelam que o rendimento real habitual atingiu a marca histórica de R$ 3.652, representando um crescimento de 2,8% no último trimestre e de 5,4% na comparação anual.
Emprego formal e autônomo
O volume de empregados com carteira assinada no setor privado (exceto domésticos) somou 39,4 milhões de pessoas. O número indica estabilidade trimestral, mas um crescimento de 2,1% em um ano, o que significa a inclusão de 800 mil novos postos formais.
Já o total de trabalhadores sem registro no setor privado permaneceu estável em 13,4 milhões, sem variações significativas em ambos os períodos comparados.
O grupo de trabalhadores por conta própria, que soma 26,2 milhões, também ficou estável no trimestre, porém avançou 3,7% no confronto anual, com um acréscimo de 927 mil pessoas.
Por outro lado, o emprego doméstico (5,5 milhões) manteve-se estável no curto prazo, mas sofreu uma redução de 4,5% em um ano, representando 257 mil postos a menos.
Para a representante do IBGE, os dados são consistentes e mostram que as principais formas de inserção no mercado operam em estabilidade, embora apresentem alta quando comparadas ao ano anterior.
“Como o volume total de ocupados hoje é superior ao de um ano atrás, todas essas categorias de trabalho mostram uma expansão relevante na comparação anual”, pontuou.
Desempenho por setores
Na análise por atividades, houve um crescimento de 2,8% no número de ocupados em Informação, Comunicação e Atividades Financeiras, Imobiliárias e Administrativas (mais 365 mil vagas) e de 3,5% no setor de Outros Serviços.
Em contrapartida, a indústria geral registrou uma retração de 2,3%, o que equivale ao fechamento de 305 mil postos de trabalho.
No acumulado de um ano, o setor de Informação, Finanças e Atividades Administrativas cresceu 4,4%, adicionando 561 mil pessoas ao mercado.
O segmento de Administração Pública, Defesa, Educação e Saúde subiu 6,2%, com um incremento de 1,1 milhão de trabalhadores.
Já os Serviços Domésticos apresentaram um recuo anual de 4,2%, com 243 mil ocupados a menos.
Metodologia da pesquisa
A Pnad Contínua é consolidada como o principal levantamento sobre o mercado de trabalho no Brasil, visitando 211 mil residências em 3.500 municípios a cada ciclo de três meses.
A operação conta com aproximadamente 2 mil entrevistadores distribuídos em mais de 500 agências do IBGE pelo país.
Desde março de 2020, em função da crise sanitária, o instituto implementou a coleta de dados via telefone, retomando as visitas presenciais em julho de 2021.

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