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Sexta-feira, 20 de Março 2026

Comércio e Indústria

Diretor da Aneel critica Enel por tentar barrar processo de caducidade judicialmente

Sandoval Feitosa, da Aneel, afirma que a agência recorrerá caso o pedido judicial da Enel para suspender o processo de caducidade seja acatado.

Nicolaite
Por Nicolaite
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Diretor da Aneel critica Enel por tentar barrar processo de caducidade judicialmente
© Paulo Pinto/Agência Brasil
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A Enel São Paulo, concessionária de distribuição de energia, acionou a Justiça com o objetivo de suspender o andamento do processo de caducidade de seu contrato de concessão, atualmente em análise na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

A iniciativa judicial, protocolada na última terça-feira (17), provocou forte reação e críticas do diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa.

Durante uma entrevista concedida na manhã desta quarta-feira (18), em São Paulo, antes do leilão de contratação de reserva de capacidade de energia (LRCAP), Feitosa expressou sua “surpresa” diante da ação movida pela Enel.

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“Fomos notificados nesta manhã de que a empresa impetrou um mandado de segurança, ainda pendente de julgamento, com o intuito de impedir a deliberação do caso e anular o meu voto já anexado ao processo”, declarou o diretor.

Feitosa adiantou que a Aneel não hesitará em recorrer.

“Nós, obviamente, vamos interpor recurso caso o mandado de segurança seja eventualmente deferido”, completou.

O debate acerca da caducidade da concessão da Enel São Paulo tem sido pauta na agência reguladora desde que o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e o prefeito da capital, Ricardo Nunes, uniram forças para solicitar o encerramento do contrato.

A solicitação de rompimento contratual surgiu em resposta a inúmeras queixas de moradores e comerciantes da Grande São Paulo, que foram afetados por repetidos e prolongados episódios de interrupção no fornecimento de energia.

A diretoria colegiada da Aneel optou por estender o prazo de vista do processo até 24 de março, data em que o tema será novamente colocado em discussão.

“Não existe julgamento, tampouco uma decisão. O que temos é o agendamento de uma reunião. Causa-nos grande surpresa que a empresa esteja buscando interferir no processo administrativo da Aneel por meios indiretos. O Poder Judiciário é, sem dúvida, uma via legítima para que qualquer cidadão ou empresa busque seus direitos. Contudo, impedir que o órgão regulador execute suas funções representa uma etapa extremamente prejudicial para o processo regulatório de nosso país”, afirmou o diretor-geral.

Na visão de Feitosa, a concessionária deveria “investir menos recursos em assessoria jurídica” e concentrar-se em aprimorar a qualidade do serviço oferecido à população.

“Minha forte recomendação à empresa é que dedique todos os esforços para aperfeiçoar o atendimento ao cidadão, elevar a qualidade dos serviços e, talvez, diminuir o investimento na contratação de um crescente suporte jurídico para obstar o trabalho da Aneel”, declarou o dirigente da agência reguladora.

“Como regulador, e com o apoio de minhas equipes de fiscalização, minha prerrogativa é exigir um serviço adequado, aplicar as sanções cabíveis e, neste caso específico, seguindo o rito legal, propor a recomendação de caducidade, que, reitero, é apenas uma fase do processo. A decisão final não compete à Aneel, mas sim ao titular do serviço, a União Federal”, esclareceu.

Feitosa detalhou que, até o momento, a Aneel já deliberou pela caducidade de contratos em 30 oportunidades, predominantemente em casos relacionados à transmissão de energia. “Em todas essas situações, cumprimos nossa função, e o Ministério [de Minas e Energia] subsequentemente cumpriu a sua”, pontuou.

Questionada pela Agência Brasil, a Enel afirmou “reafirmar sua total confiança nos argumentos legais expostos e na estrutura jurídica brasileira”.

“A empresa reitera a importância de que qualquer decisão seja fundamentada em análise imparcial e técnica, em estrita conformidade com a legalidade e os fatos comprovados no curso do processo”, dizia o comunicado da Enel.

FONTE/CRÉDITOS: Diangelis Nicolaite
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