O Banco Central (BC) revelou que, em janeiro, os cidadãos brasileiros resgataram R$ 403,29 milhões em recursos previamente esquecidos no sistema financeiro. Desde sua implementação, o Sistema de Valores a Receber (SVR) já efetuou a devolução de R$ 13,76 bilhões a correntistas, contudo, uma quantia significativa de R$ 10,5 bilhões permanece aguardando resgate.
O SVR, uma iniciativa do Banco Central, permite que indivíduos verifiquem se possuem, ou se uma empresa ou pessoa falecida vinculada a eles possui, valores a receber em instituições financeiras diversas, incluindo bancos, consórcios, financeiras e corretoras.
Para realizar a consulta, não é necessário efetuar login. Basta fornecer o Cadastro de Pessoa Física (CPF) e a data de nascimento, ou o Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) e a data de constituição da empresa, mesmo que esta já esteja inativa.
Se for identificado algum valor, o usuário deve acessar o sistema para verificar o montante, a origem, a instituição responsável pela devolução, e outras informações relevantes. O acesso requer login através da conta Gov.br, com nível de segurança prata ou ouro, e autenticação em duas etapas.
Resgate
O resgate dos valores pode ser efetuado de três maneiras distintas: diretamente com a instituição credora, por meio de solicitação no próprio Sistema de Valores a Receber, ou utilizando a funcionalidade de solicitação automática de resgate.
Esta ferramenta elimina a necessidade de consultas periódicas ao sistema ou o registro manual de cada solicitação de resgate por parte do cidadão.
Quando recursos são liberados pelas instituições financeiras, o crédito é realizado diretamente na conta do beneficiário. A solicitação automática é restrita a pessoas físicas e exige que o usuário possua uma chave Pix associada ao CPF. A adesão a este serviço é opcional.
Os valores esquecidos podem ter diversas origens, incluindo:
- contas-correntes ou de poupança que foram encerradas;
- cotas de capital e distribuições de sobras líquidas de antigos membros de cooperativas de crédito;
- montantes não reclamados de grupos de consórcio finalizados;
- taxas bancárias cobradas de forma indevida;
- parcelas ou encargos de operações de crédito cobrados erroneamente;
- contas de pagamento, sejam pré-pagas ou pós-pagas, que foram encerradas;
- contas de registro mantidas por corretoras e distribuidoras que foram encerradas; e
- outros recursos que as instituições financeiras têm a devolver.
Beneficiários
As estatísticas do SVR são divulgadas pelo Banco Central com uma defasagem de dois meses, incorporando novas fontes de valores esquecidos no sistema financeiro a cada atualização.
Até o final de janeiro, um total de 37.719.258 correntistas já havia efetuado o resgate de valores, dos quais 33.740.425 eram pessoas físicas e 3.978.833 eram pessoas jurídicas. Contudo, 54.612.272 beneficiários ainda não sacaram seus recursos, compreendendo 49.520.452 pessoas físicas e 5.091.820 pessoas jurídicas.
A maioria dos indivíduos e empresas possui direito a quantias menores. Valores de até R$ 10 representam 64,57% do total de beneficiários. Aqueles entre R$ 10,01 e R$ 100 somam 23,49% dos correntistas. Já as quantias entre R$ 100,01 e R$ 1 mil correspondem a 10,04% dos clientes, enquanto apenas 1,9% tem valores a receber superiores a R$ 1 mil.
Golpes
O Banco Central (BC) emite um alerta aos correntistas para que estejam vigilantes contra tentativas de golpe, nas quais criminosos se passam por intermediários para facilitar o resgate de valores esquecidos.
O BC enfatiza que todos os serviços relacionados ao Sistema de Valores a Receber são inteiramente gratuitos e que a instituição não envia links, nem entra em contato para discutir valores a receber ou solicitar a confirmação de dados pessoais.
A autarquia também orienta que senhas não devem ser fornecidas a terceiros, esclarecendo que nenhuma pessoa está autorizada a realizar tal solicitação.

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