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Sexta-feira, 20 de Março 2026

Justiça e Segurança

Moraes vota para tornar Malafaia réu por ofensas ao comando do Exército

Denúncia da PGR tem como base discurso do líder religioso na Avenida Paulista, em abril de 2024

Nicolaite
Por Nicolaite
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Moraes vota para tornar Malafaia réu por ofensas ao comando do Exército
© Paulo Pinto/Agência Brasil
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O ministro Alexandre de Moraes, integrante do Supremo Tribunal Federal (STF), manifestou seu voto nesta sexta-feira (6) para que o pastor Silas Malafaia seja formalmente acusado pelos delitos de calúnia e injúria, supostamente dirigidos aos generais de alta patente do Alto Comando do Exército.

O julgamento do processo teve início nesta sexta-feira (6) na Primeira Turma do STF, por meio de uma sessão virtual. Até o presente momento, apenas o ministro relator, Moraes, proferiu seu voto. Os demais membros do colegiado — Cristiano Zanin, Flávio Dino e Cármen Lúcia — dispõem até as 23h59 de 13 de março para registrar suas posições.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) formalizou a denúncia contra Malafaia em decorrência de um pronunciamento feito pelo líder evangélico durante um ato público na Avenida Paulista, ocorrido em 6 de abril do ano anterior.

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Naquela ocasião, as declarações de Malafaia surgiram em resposta à recente detenção do general Walter Braga Netto, que integrava as apurações sobre a suposta conspiração golpista visando à manutenção ilegal do ex-presidente Jair Bolsonaro no poder.

Em cima de um carro de som, o líder religioso questionou veementemente: “Cadê esses generais de quatro estrelas, do Alto Comando do Exército? Cambada de frouxos, cambada de covardes”.

Suas palavras visavam a cobrar uma postura dos militares diante da prisão de Braga Netto, que havia sido candidato a vice na chapa de Bolsonaro em 2022.

Malafaia prosseguiu, afirmando: “Cambada de omissos. Vocês não honram a farda que vestem”.

Posteriormente, um vídeo contendo o discurso foi divulgado pelo pastor evangélico em suas plataformas digitais, acumulando, conforme a PGR, mais de 300 mil visualizações. A descrição da postagem explicitava: “Minha fala contra os generais covardes do alto comando, não contra o glorioso Exército Brasileiro”.

Segundo a PGR, Malafaia teria cometido o crime de calúnia ao qualificar os militares como covardes, considerando que a covardia é tipificada como delito no Código Penal Militar. Quanto à injúria, a acusação aponta que o pastor teve a intenção deliberada de ofender os integrantes das Forças Armadas.

Qualificação

A denúncia da PGR solicita que os delitos sejam qualificados, o que implicaria em um acréscimo na pena, dado que foram cometidos contra agentes públicos em razão de suas funções, em ambiente público e contra indivíduos com mais de 60 anos, fatores considerados agravantes para essa categoria de crime.

A defesa de Malafaia contesta a competência do Supremo para julgar o caso, argumentando que o pastor não possui foro privilegiado. Em relação ao mérito, a defesa sustenta que as declarações do líder evangélico não geraram danos, invalidando, assim, a justa causa para a denúncia.

Moraes refutou tais argumentos, asseverando que os eventos sob investigação possuem uma conexão "absoluta" com as acusações de calúnia e injúria dirigidas a agentes públicos, já em apuração no Inquérito das Fake News, instaurado em 2019 para investigar ataques e difamações contra ministros do Supremo Tribunal Federal.

FONTE/CRÉDITOS: Diangelis Nicolaite
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