Informação, Visibilidade e Integração em um só Lugar.

Aguarde, carregando...

Sexta-feira, 20 de Março 2026

Justiça e Segurança

Flávio Dino afasta prefeito e vice de Macapá por suspeita de desvio de verbas

A Polícia Federal aponta indícios de fraude em licitação que resultou na contratação da empresa Santa Rita Engenharia Ltda., em contrato de aproximadamente R$ 70 milhões.

Nicolaite
Por Nicolaite
/ 0 acessos
Flávio Dino afasta prefeito e vice de Macapá por suspeita de desvio de verbas
© Gustavo Moreno/STF
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

O ministro Flávio Dino, integrante do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quarta-feira (4) o afastamento temporário, por 60 dias, do prefeito de Macapá, Dr. Furlan, e de seu vice, Mario Neto. Ambos são alvo de investigação sob a acusação de desviar verbas federais inicialmente destinadas à construção do Hospital Geral Municipal na capital amapaense.

A ação é parte da segunda fase da Operação Paroxismo, deflagrada pela Polícia Federal (PF) também nesta quarta-feira (4), que executa 13 mandados de busca e apreensão nas cidades de Macapá, Belém e Natal.

Em sua decisão, Dino justificou o afastamento argumentando que a permanência dos investigados nos cargos públicos poderia "assegurar-lhes acesso a documentos, sistemas e bases de dados relevantes para a elucidação dos fatos, criando ambiente propício à supressão, manipulação ou ocultação de elementos probatórios".

Publicidade

Leia Também:

O ministro também ressaltou a possibilidade de que os envolvidos pudessem reincidir em práticas criminosas, caso continuassem responsáveis pelos processos licitatórios da prefeitura.

Conforme o relatório da Polícia Federal, foram encontrados “indícios contundentes de comprometimento da competitividade” no processo licitatório que culminou na contratação da empresa Santa Rita Engenharia Ltda. O valor do contrato em questão girava em torno de R$ 70 milhões.

Entre as evidências de fraude, destaca-se a similaridade quase total entre a proposta da empresa e o orçamento de referência elaborado pela prefeitura para pesquisa de mercado. Para a PF, esse cenário sugere que a Santa Rita Engenharia teve acesso antecipado aos critérios de aprovação do processo licitatório.

Após a assinatura do contrato, a PF identificou uma “sistemática e anômala movimentação de recursos em espécie” por parte dos sócios da empresa. Rodrigo Moreira, um dos proprietários, realizou 42 saques que totalizaram R$ 7,4 milhões, enquanto Fabrizio Gonçalves efetuou 17 saques, somando R$ 2,4 milhões.

A análise da cronologia e dos montantes revelou que essas operações de saque foram realizadas imediatamente após os repasses contratuais do Município de Macapá à empresa. Os recursos, segundo a PF, não foram reintroduzidos no sistema bancário nem utilizados para despesas ligadas à execução do contrato.

Os investigadores também levantaram evidências de que parte desses valores foi transportada em veículos pertencentes a Furlan. Além disso, foram constatadas transferências da Santa Rita Engenharia para contas bancárias vinculadas à ex-esposa e à atual companheira do prefeito.

Na mesma decisão que autorizou o afastamento do prefeito e do vice, o ministro Dino também decretou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de dez pessoas físicas e três pessoas jurídicas. Essas mesmas partes foram igualmente alvo dos mandados de busca e apreensão.

Outros afastamentos incluem a secretária municipal de Saúde, Erica Aranha de Sousa Aymoré, e Walmiglisson Ribeiro da Silva, que presidia a Comissão Especial de Licitação encarregada do certame para o Hospital Geral de Macapá.

A reportagem busca contato com as defesas dos envolvidos mencionados e permanece à disposição para eventuais manifestações.

Competência do STF

Na sua deliberação, Dino também justificou o acolhimento de um pedido da Polícia Federal para que o processo fosse transferido para o Supremo Tribunal Federal. O ministro indicou a existência de “indícios bastante sólidos” de conexão entre a investigação do hospital de Macapá e outra apuração sob sua relatoria.

Essa segunda linha de investigação abrange “possíveis crimes envolvendo a aplicação, economicidade e efetividade das transferências especiais ('emendas pix')”, que, conforme apontam os indícios, teriam sido realizadas por um Senador da República e um Deputado Federal do Amapá. O montante total, de acordo com cálculos da Controladoria-Geral da União, ultrapassa cento e vinte milhões de reais, conforme detalhou o ministro Dino.

FONTE/CRÉDITOS: Diangelis Nicolaite
Comentários:

Não possui uma conta?

Leia matérias exclusivas, anuncie com destaque e conecte-se a novas oportunidades!
WhatsApp Portal Meu Negócio
Envie sua mensagem, estaremos respondendo assim que possível.
Termos de Uso e Privacidade
Esse site utiliza cookies para melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar o acesso, entendemos que você concorda com nossos Termos de Uso e Privacidade.
Para mais informações, ACESSE NOSSOS TERMOS CLICANDO AQUI
PROSSEGUIR