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Segunda-feira, 27 de Abril 2026

Saúde

Um quinto das crianças e adolescentes globais sofre com sobrepeso ou obesidade

A Federação Mundial de Obesidade adverte que o excesso de peso na infância desencadeia problemas de saúde típicos de adultos, como hipertensão e doenças cardiovasculares.

Nicolaite
Por Nicolaite
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Um quinto das crianças e adolescentes globais sofre com sobrepeso ou obesidade
© Marcello Casal Jr./Agência Brasil
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O Atlas Mundial da Obesidade 2026, divulgado no Dia Mundial da Obesidade (4), aponta que 20,7% das crianças e adolescentes entre 5 e 19 anos globalmente estão vivendo com sobrepeso ou obesidade. Esse percentual representa um em cada cinco jovens, totalizando 419 milhões de indivíduos. A Federação Mundial de Obesidade projeta um aumento alarmante, estimando que até 2040 esse número atingirá 507 milhões de crianças e adolescentes com excesso de peso em todo o mundo.

Em um comunicado, a organização enfatiza que o sobrepeso e a obesidade em idades precoces podem desencadear complicações de saúde frequentemente vistas em adultos, como hipertensão e enfermidades cardiovasculares. As projeções indicam que, até 2040, 57,6 milhões de crianças poderão manifestar indícios iniciais de doenças cardiovasculares, e 43,2 milhões apresentarão sinais de hipertensão.

“O atlas evidencia que as iniciativas para combater a obesidade infantil permanecem insuficientes globalmente, com diversas nações falhando em implementar o conjunto de políticas indispensáveis para prevenção, acompanhamento, detecção e tratamento”, ressaltou a federação, exigindo ações concretas para modificar os rumos atuais.

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Para reverter esse cenário, a entidade sugere a implementação de diversas estratégias, como a aplicação de impostos sobre bebidas açucaradas, a restrição da publicidade voltada para o público infantil (inclusive em meios digitais), a efetivação das diretrizes mundiais de atividade física para crianças, a salvaguarda do aleitamento materno, a adoção de padrões alimentares mais nutritivos nas escolas e a incorporação da prevenção e tratamento nos sistemas de atenção primária à saúde.

Cenário no Brasil

No território brasileiro, os dados indicam que 6,6 milhões de crianças na faixa etária de 5 a 9 anos apresentam sobrepeso ou obesidade. Esse montante eleva-se para 9,9 milhões ao incluir crianças e adolescentes de 10 a 19 anos, resultando em um total de 16,5 milhões de jovens entre 5 e 19 anos que convivem com o excesso de peso no país.

Dentre essa população, quase 1,4 milhão de crianças e adolescentes foram diagnosticados em 2025 com hipertensão relacionada ao Índice de Massa Corporal (IMC). Adicionalmente, 572 mil apresentaram hiperglicemia ligada ao IMC, 1,8 milhão registraram triglicerídeos elevados atribuídos ao IMC, e 4 milhões foram identificados com doença hepática esteatótica metabólica, condição caracterizada pelo acúmulo de gordura no fígado.

Para 2040, as projeções para o Brasil são ainda mais preocupantes: estima-se que mais de 1,6 milhão de crianças e adolescentes (5 a 19 anos) terão diagnóstico de hipertensão associada ao IMC; 635 mil com hiperglicemia vinculada ao IMC; 2,1 milhões com triglicerídeos elevados atribuídos ao IMC; e 4,6 milhões com doença hepática esteatótica metabólica.

Perspectiva especializada

Segundo Bruno Halpern, vice-presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), o atlas revela um “crescimento assustador” nas taxas de obesidade e sobrepeso entre crianças globalmente, com particular intensidade em nações de média e baixa renda.

Ele explica que “a dieta baseada em produtos ultraprocessados, de baixo valor nutricional e custo acessível, tem se expandido exponencialmente. Esse padrão alimentar impacta de forma mais severa as crianças de estratos socioeconômicos menos favorecidos dentro desses países.”

“O Brasil não foge a essa regra. Há dois anos, já se previa que, em uma década, metade das crianças e adolescentes brasileiros estaria com sobrepeso ou obesidade. Os números atuais corroboram essa projeção. Os índices estão em ascensão e são motivo de grande preocupação”, acrescentou.

Halpern, que também integra a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e será presidente da Federação Mundial de Obesidade no biênio 2027-2028, reitera que a obesidade é uma questão que afeta a todos. “Dispomos de 8 bilhões de motivos para agir – a totalidade da população mundial”, enfatiza.

“É fundamental abandonar a percepção de que a obesidade é uma questão meramente individual e reconhecer que, atualmente, ela representa também um desafio socioeconômico”, afirmou. “Se metade das crianças desenvolverá obesidade ou sobrepeso em poucos anos, isso deixa de ser um problema alheio e se torna uma responsabilidade coletiva. Se não for seu filho, será o filho de sua irmã ou alguém muito próximo convivendo com essa condição”, complementou.

“É imperativo implementar políticas como a taxação de alimentos ultraprocessados e refrigerantes, além de reduzir a publicidade direcionada ao público infantil. Precisamos igualmente abordar a obesidade materna, um aspecto salientado pelo atlas. O tratamento da obesidade em gestantes e mães pode ser uma estratégia eficaz para prevenir o desenvolvimento da obesidade em seus filhos no futuro”, concluiu.

FONTE/CRÉDITOS: Diangelis Nicolaite
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